Aconteceu Comigo com Sabrina Luz

Grávida pela segunda vez, me preparei durante toda a gestação para um parto natural. Eu já tinha tido um parto normal, mas dessa vez não queria intervenções desnecessárias. Queria o mais natural possível.
Eu estava completando 39 semanas quando durante a noite, mais precisamente as duas e meia da manhã, eu estava sonhando, na minha lembrança vejo a Elisa dentro do meu útero beliscando a bolsa, quando de repente ouço um “ploft”… acordei toda molhada e demorou um pouquinho pra ficha cair de que era realmente a minha bolsa que (finalmente) havia estourado. Nessa hora bateu um friozinho na barriga e pensei: “Vamos minha filha, vai começar nossa aventura!”

Eu estava tranquila, não sentia dor e cheguei a pensar que ainda levariam horas até que chegasse o grande momento. Liguei para minha médica, ela me orientou a ir para o hospital para ser avaliada, enquanto ela se organizava para ir também, já que naquele dia ela estava de plantão em outro hospital. Tomei um banho quentinho, organizei algumas coisas em casa, me maquiei (sim, eu queria estar linda para receber minha filha, nada de cara de cara pálida naquele momento tão especial), avisei meu filho mais velho, fizemos uma oração em família e seguimos para a maternidade.

No caminho me perguntei várias vezes: “Onde estão as dores?”.. Velhas conhecidas minhas, vividas há 15 anos atrás quando tive meu primeiro filho. A barriga estava um pouco endurecida, mas nada me lembrava o meu primeiro parto, que logo quando rompeu a bolsa, as dores já vieram intensas.
Chegamos no hospital as três e meia da manhã. Poucas pessoas na recepção, fui atendida rapidamente. Dei entrada pelo pronto-socorro e fui resolvendo as questões burocráticas enquanto meu esposo estacionava e descia as malas do carro. Nesse momento eu já sentia as contrações, um tanto quanto incômodas, mas estava suportando bem a dor, caminhando cada vez que elas vinham, respirando fundo e mentalizando meu corpo se abrindo para dar passagem a minha pequena. As dores não me amedrontavam dessa vez, eu sabia com o que estava lidando. Elas me traziam uma felicidade que avisava que em pouco tempo eu conheceria minha filhinha.

Resolvida a papelada, minha médica estava a caminho, então me encaminharam para um quarto, no pronto-socorro mesmo, para eu aguardar mais a vontade até liberarem o meu apartamento no hospital. No ambulatório, onde eu aguardava, éramos só eu e meu esposo, vantagens de dar a luz de madrugada. O olhar silencioso dele e sua postura calma não escondiam a apreensão que ele sentia, mas me transmitiam uma segurança ímpar e tão importante para mim naquele momento. Ele não me tocou, ele não me encheu de perguntas, ele não me sugeriu nada, mas estava ali do meu lado, olhos atentos em todas as minhas reações. Companheiro. Cúmplice. Liguei meu play list do celular para este momento, assim como eu tinha planejado tempos antes. Foi quando todo o processo acelerou. As dores vinham mais intensas em intervalos menores.

11261063_899683343426105_2131579669_nSim, eu senti dor, mas liguei um reggae gostosinho do Inner Cicle e dancei nesse momento enquanto meu esposo brincava de tirar fotos.

Minha médica chegou em poucos minutos, na verdade ela foi avisada pelo pessoal da recepção que meu processo estava adiantado. Assim que me encontrou, ainda no ambulatório, me mediu (dilatação de 6 cm), tive uma contração logo depois do exame de toque ainda deitada. Em seguida desci da maca, dei mais alguns passos e na contração seguinte (a mais dolorida de todas), veio a vontade de fazer força. Senti o círculo de fogo. Era minha menina coroando! Tão claro quanto sentir o vento bater no rosto.
“_ Ela está coroando, vai nascer”… Chamei a Minha médica.
Penso que neste momento minha expressão era de choque, imersa num momento só meu, concentrada. Um misto de alegria, medo e dor.
Sim, era a hora!! E seria ali mesmo! Não dava mais tempo!
Me posicionei no chão de joelhos, foi a primeira e única posição que tentei e de cara me senti confortável. Lençóis e travesseiros foram improvisados para me dar mais conforto. Mais uma força e veio a cabecinha. Tive o instinto de fazer o que tantas vezes sonhei: passar a mão na cabecinha dela enquanto seu corpinho ainda estava dentro de mim e dizer, “Vem minha filha, pode vir”. Fiquei alheia a todo o resto do mundo. Sei que tinha mais gente ali, enfermeiros curiosos olhavam extasiados, mas eu não vi ninguém. Visualizei mentalmente cada movimento que minha pequena faria até deslizar inteira de dentro de mim.
Na contração seguinte nasceu Elisa! 49 cm, 3.385 kg. Linda, rosadinha, amparada pelo papai. Foi colocada num travesseiro e enroladinha numa toalha, calminha, sem choro, respirava cansada após todo o esforço que havia feito… “Seja bem vinda pequenina”…E lá estávamos nós, juntas, ofegantes, no chão, cercadas de amor, recém-nascidas. Eu como mãe novamente e ela como minha filha. Não a peguei no colo imediatamente, só conseguia contemplá-la. Papai cortou o cordão e eu mesma bati a foto… lembranças ficarão eternizadas em nossos corações.

Aprendi que a dor faz parte, mas não significa sofrimento.

Muita gente ficou indignada e até mesmo com pena de mim por eu ter dado à luz no “chão do hospital”, no meio do ambulatório, eu, no entanto, me realizada, Tive o privilégio de viver um momento mágico, único, verdadeiramente abençoado… Eu havia me preparado para isso. Para ser a protagonista do meu parto e deixar minha filha vir naturalmente. Obviamente em meus planos eu faria isso no quarto do hospital, teria uma banheira e banqueta de parto para me auxiliar… Bom, não saiu como planejei, mas infinitamente melhor do que eu esperava.

 

Sabrina Luz é autora do blog www.jeitinhodemae.com 

 

 

Comentários

1 Comentário
  1. postado por
    Ludmyla
    ago 2, 2015

    Que história linda e emocionante!! Que bom que saiu tudo melhor que você esperava!!

    Parabéns pelo blog, amei!!

    Beijos,bom domingo!

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