Bem me quer, mal me quer

“Saber qual o seu papel na educação dos enteados. Até que ponto pode intervir na educação deles, já que não é a mãe. A relação é sempre muito delicada e interferir é como pisar em ovos.” 

0000015772Como é difícil escrever sobre um assunto que, além de delicado, te envolve por completo. Eu sou madrasta há seis anos. Cabe a mim a tarefa de falar sobre o lado de cá da moeda. O lado das bruxas. Das mulheres chatas. Não tenho verruga na ponta do nariz, não quero dar uma maçã envenenada pra ninguém, e não, não me descabelo de ciúmes

Até eu mesma me casar, não conhecia uma única história de perto. Imagine que começo ruim pra mim! Conheci um cara separado, com dois filhos ( uma de 16 e um de 6). Quase saí correndo quando soube. Homem com ex-mulher e filho é problema. Pior, dois filhos e duas ex. Pois eu acabei ficando, mesmo morrendo de medo de dar tudo errado.

 Eu queria tanto agradar, fazia coisas, tentava outras, mas com o tempo vi que não ia surtindo efeito e desisti, assumi meu papel de coadjuvante. Sempre me sentia deslocada, em algum evento, comemoração… Até o dia em que eu me tornei mãe. A partir daí tudo mudou na minha vida ( E como mudou!). A começar eu e meu marido nos tornamos uma família “completinha” daquelas com filho, cachorros e cia.

 Eu tenho um problema bem incomum à maioria das madrastas: eu gosto da mãe do filho. A gente pode conversar por horas. Coitado do pai, que estranha muito a relação até hoje. Mas é bem isso: a gente se dá muito bem e eu gosto dela.

Eu cheguei quando o casamento já tinha acabado. Aliás, teve outra antes no qual foi a única que ele casou de fato de todas as ex’s. O menino tinha idade pra entender de leve. A menina já era adolescente.  Meu marido é tranqüilo.  A mãe do menino é fofa e falante. A da menina eu nunca tive contato. Já vi e a vejo algumas vezes, mas nunca conversei com ela. Pelo pouco que sei, acho que não nos daríamos muito bem. Eu não sou ciumenta ( Ok, às vezes bate um ciúmes de leve).

 Lugar de madrasta não é de mãe. Não é ir em reunião de escola. Não é de decidir o corte de cabelo. Não é de decidir o futuro. A madrasta deve levar a criança pra mãe. E passar a bola.

Lugar de madrasta é ao lado. Pai e mãe, as crianças já tem. Não precisam que nós os substituamos. Nós não faremos melhor que eles. Eles fazem o que podem, o possível e impossível, e lugar de madrasta/padrasto é de ser coadjuvante, não ator principal.

Claro que pode dar a mão quando se está doente, conversar, ajudar, ser amiga, estar presente. Ouço casos extraordinários de madrastas que se dão maravilhosamente bem com seus enteados. 

 Eu tenho meu próprio jeito de pensar e educar, mas faço dou o meu melhor. Como meu marido é muito esquecido eu lembro ele das datas, ajudo a escolher os presentes, faço ele ligar e chamar para algum programa. Mas tento não interferir nas decisões, mas sem ser ausente ou me omitir. Afinal, estou envolvida na vida de um filho e filha que eu não pari. É preciso muito amor e muito jogo de cintura. Na verdade, mais amor que qualquer outra coisa.

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Comentários

1 Comentário
  1. postado por
    marilana
    jun 19, 2013

    muito legal, amei essa materia.muito bem redigida e verdadeira!!!bjao pra ti

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