Fertilização in vitro, o sonho de ser mãe realizado

Depoimento de uma mulher que, após uma fertilização in vitro, realizou o sonho de ser mãe.

Estava tentando engravidar há seis meses, quando procurei ajuda de um médico especialista em infertilidade. Na condição de médica, já sabia que teria uma certa dificuldade de engravidar porque tinha ovários micropolicísticos. A síndrome dos ovários policísticos é uma condição caracterizada, entre outros aspectos, por irregularidade menstrual, em que a mulher não ovula todos os meses. Meu esposo achou que eu estava me precipitando, que era muito cedo para procurar um tratamento, além do que, nós sabíamos que iríamos fazer vários exames, entre eles, o espermograma, exame que causa um certo constrangimento e por isso os homens, de uma maneira geral não topam realizar tão facilmente.

Após fazer vários exames, não foi encontrada uma causa concreta para o problema. Iniciei um tratamento com o uso de comprimidos para induzir a ovulação. Enquanto isso, fazia ultrassonografias no período aproximado da ovulação e dessa forma era previsto o dia exato em que eu estaria ovulando e então se programava o dia apropriado para ter a relação. Fiz esse tratamento por cinco meses e me frustrava a cada tentativa que não dava certo. Outras vezes foi tentado também uma medicação injetável, mas por esta ser bem mais forte que o comprimido, meus ovários sofreram uma hiperestimulação e cresceram sete óvulos, o que fez o meu médico contra-indicar o coito, devido ao alto risco de uma gestação múltipla.

O decorrer do tempo de tratamento parece uma eternidade. Uma mulher, quando deseja muito ser mãe, sofre a cada menstruação que desce. Percebia que muitas conhecidas minhas conseguiam engravidar facilmente, após pouco tempo de tentativa. A impressão de uma mulher que tenta engravidar por muito tempo e não consegue é a de que todas as pessoas ao seu redor são “hiper férteis”, e engravidam facilmente, as vezes até sem querer.

Enfim, depois de todas essas tentativas, resolvemos, juntamente com o médico partir para o procedimento de fertilização in vitro.  Iniciei o uso de várias injeções com hormônios, havia dias em que tomava seis delas. Dessa forma, cresceram doze óvulos e, no dia apropriado, fui submetida a um procedimento de aspiração desses folículos. Foi tudo com sedação, não senti nenhuma dor. Enquanto isso foi colhido o sémen do meu marido e então foi realizado em laboratório o cruzamento dos espermatozoides com os óvulos.

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Em outro dia, fomos novamente à clínica, quando foram injetados os embriões dentro do meu útero. O médico nos deu a opção de colocar 2, 3 ou 4 embriões, explicando que aumenta a chance de dar certo, já que na maioria das vezes, não ocorre de implantar todos. Porém decidimos por dois apenas, porque tínhamos muito medo da gravidez de gêmeos ou trigêmeos, mesmo sabendo que a chance de dar errado era maior.

Estava em uma consulta, atendendo uma paciente, quando recebi a ligação com a notícia de que meu exame de gravidez tinha dado positivo. Não me contive e comecei a chorar na frente da minha paciente e então ela e seu esposo se levantaram e me abraçaram, foi uma festa.

E assim, depois de tanta luta, foi gerado o rodrigo, hoje um menino forte, de 1 ano e seis meses. Hoje sei o quanto vale a pena tudo o que passei, faria tudo de novo, se preciso fosse.

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** O nome da mãe foi ocultado para preservar sua identidade.

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