Maternidade leve. Realidade ou mito?

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Muito se ouve em maternidade leve. Muitos dão dicas que juram ser essenciais para você poder levar a maternidade de uma maneira aparentemente fácil, leve. A receita parace até fácil, simples na verdade. Você ESCOLHE. Você escolhe levar a tal maternidade leve. 

Se você procurar no Instagram pela hashtag você encontrará mais de 29 mil e 600 posts sobre o assunto, ou fotos usando aparentando aquela maternidade tão desejada por muitas mães. 

Afinal, quem não quer levar a vida de maneira leve? A maternidade então, seria quase um sonho. Já que para a maioria das mães ela é hardcore. 

Já usei a tal hashtag, já acreditei que essa maternidade seria possível. Mas depois de tanto ver em perfis voltados para o assunto eu comecei a refletir. Pesquisei, conversei com diferentes mães, mães que trabalham fora, mães com classes sociais distintas, mães com um grupo de apoio, mães solo, mães com empregados, mães sem apoio.

Então conclui que a maternidade leve, na minha opinião, não é uma escolha. Pode até ser uma forma de você encarar a vida. 

Mas se você levar em consideração uma mãe que mora em uma área de risco que tem receio até de ir a vir, pega transportes públicos lotados, utiliza hospitais públicos sem médicos e, muito menos, medicamentos. Que não tem ajuda, e tem ainda que cozinhar, educar e se preocupar com os boletos bancários, essa maternidade não só parece distante, ela parece ser inatingível. 

Mas se você tem uma empregada pra cuidar da sua casa, ou até uma diarista pra quebrar o galho. Ou quem sabe uma babá e dormir às tão sonhadas 8 horas por noite. Uma folguista então… Se você tem com quem deixar as crianças para ter uma noite sua ou até viajar com o marido. Aí eu acho não só possível, acho que ela pode sim existir.

Mas não falo só de ajuda. Ajuda é bem vinda. Mas você que tem ela, tem que tomar cuidado para não delegar tarefas que seriam suas. A educação dentro de casa não pode e não deve ser terceirizada. Leve, mas não tão leve. Porque você pode facilitar muita coisa, mas você é mãe e mãe e, na minha opinião, tem que estar presente.

Talvez em algum estágio da maternidade eu a tenha vivido de uma maneira leve, mas hoje questionando, indagando, eu tenho a plena convicção que não. Minha maternidade é punk. Dias puxados, cansativos, estressantes. Com pausa para amor, pausa pra lazer, pouco tempo para dormir, mas muito a sonhar. 

Torço para que as mães todas consigam chegar lá, no oásis da maternidade leve. Eu inclusa, claro.

 

Fotos: Teca Avelar

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